Geralmente, pessoas aficionadas por moda revelam um lado obscuro
de suas personalidades, bem como uma busca pelo consumo sem limites. Evidenciam
um vazio existencial inigualável sem esforço algum. Na verdade, quase escrevem
isso em suas testas. Revelam-se, muitas vezes, pessoas fracas e de caráter
falho, que, por faltar-lhes algo, geralmente proveniente de uma carga afetiva
perdida ou frutos de relacionamentos fracassados, preenchem esse espaço em
branco com grifes. Quanto vale um lenço de seda? Cinquenta reais, talvez.
Quanto esses closet monsters pagam?
Mil reais, no mínimo, por se tratar de um exemplar da lendária Hermès. Isso tem nome: futilidade.
A ostentação sempre fez parte da vida em sociedade. Na
Idade Média, por exemplo, o luxo era significantemente apresentado em pedras
preciosas, bordadas em suntuosos e desconfortáveis vestidos, feitos para
impressionar e se destacar do proletariado. Pouca coisa mudou. Explico: hoje,
as pedras são os cartões de crédito, e o desconforto permanece, principalmente
ao receber a fatura em sua casa. Isso sem falar da cômica competição dos
sapatos altíssimos mais bonitos; mulheres que venderiam suas almas por um par
de Louboutins ou Manolos. Existe um “menu” de tromboses materializadas e atraentes
disponíveis em majestosas lojas de departamento. Todos, entretanto, destroem a
coluna alheia. E daí? Tudo para não perder a pose, para não descer do salto e admitir que o ser é
mais importante que o ter, ou o aparentar; para não se render ao verdadeiro
prazer da vida, que é o simples viver!
Existe
sentido louvável, de fato, pelo ato de comprar sem parar? Talvez. Dizem que acalma,
que é terapêutico. Os especialistas, no entanto, revelam que o consumo
compulsivo causa sofrimento, humilhação, desvalorização própria, isolamento, além,
é claro, do fator financeiro – ou a falta dele. Nada além do que se pode notar
em pessoas obcecadas pela moda descartável. Sim, descartável em sentido
literal. E não pense que isso é uma piada, pois eles realmente se desfazem das
peças por essas estarem “fora de moda”. Detalhe: passado um mês lançamento.
A
moda sempre possuiu forte carga de influência na vida das pessoas. De qualquer
forma, não se pode deixar o fantasma do in
e do out dominar sua vida, logo, não
precisa esperar as ditaduras de uma indústria que rende bilhões com a sua falsa
beleza. Afinal, cada ser humano possui livre arbítrio para decidir o que é
melhor para si. Muitas vezes, o problema é tamanho que apenas um psicólogo ou
terapeuta pode ajudar. Entretanto, não pense que isso é uma humilhação. É uma
solução! Humilhação é destruir o próprio corpo e a própria vida para tentar ser
o que não é, para ostentar uma vida aparentemente glamourosa, sendo que, quando
você chega em casa, lava o rosto e tira seu Hervé
Léger, percebe que é igual a todo o resto do mundo, os mortais, em sua
concepção – ou os proletários da Idade Média. Pura ilusão! Falando em Hervé Léger, certa vez, um amigo disse:
- É só um pedaço de
pano!
Sim, meus caros, um
pedaço de pano. A diferença é que este curto retalho ornamental custa
aproximados mil duzentos e cinquenta dólares. E, é claro, milhares de libras esterlinas
da sua dignidade. Vale a pena?
Marco Aurélio Prass