Crianças
cada vez mais mal educadas, sem limites e que desobedecem aos adultos: ouve-se
muito isso nos dias de hoje. Deparamo-nos com jovens rebeldes, que parecem não
ter uma base em que se apoiarem nessa fase de desenvolvimento. No entanto,
pouco se comenta sobre os porquês ou quem são os responsáveis por esse fenômeno.
A
independência das mulheres, que hoje trabalham fora de casa, gerou uma nova
configuração na família do século XXI. Se o pai e a mãe não estão em casa o dia
todo, cabe a quem educar os filhos? Desta forma, os pais estão depositando na
escola, onde as crianças passam mais tempo do que em casa, o dever de
educá-las. Porém, faltarão valores e princípios para esses indivíduos, uma vez
que não estão recebendo em casa os ensinamentos que deveriam, como serem
honestos, respeitarem os outros e terem boas maneiras.
“A escola é
uma maravilhosa colaboradora, mas são os pais que educam”. Esta frase, dita pelo psicólogo e
psicopedagogo Egídio Vecchio, descreve como muitos pais estão vendo a
instituição escolar atualmente: como a única responsável pela educação de seus
filhos. No entanto, não é só de educação que as crianças precisam: muitos
adultos, na correria do dia-a-dia, estão se esquecendo de dar carinho e atenção
aos pequenos. Este é outro fator de grande importância que está tornando as
crianças arredias e mal educadas, pois o afeto também ajuda a educar na medida
em que a criança precisa sentir-se segura no ambiente familiar para encarar os
desafios da aprendizagem.
Em suma, a integridade dos adultos de amanhã está
em risco. Sem uma educação vinda da família e complementada pela escola, as
futuras gerações possivelmente serão de indivíduos agressivos e desrespeitosos.
Não cabe a escola ensinar tudo, como pensam os atarefados pais de hoje, mas sim
educar a partir dos ensinamentos vindos de casa. E, que o carinho não falte,
porque crianças são insaciáveis em receber e inesgotáveis em dar amor.
Belisa Lazzarotto
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